2024: Pintura e Fragmentos da Paisagem – Luiz Aquila – 24/02/2024 à 06/04/2024

    •  
    • Sobre a exposição

      O Farol


      Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.
      Carlos Drummond de Andrade

      Toda pintura de Luiz Aquila é a síntese entre a tradição e o novo. A paisagística, essência da arte brasileira, se revela por inteiro nos gestos e cores do artista. A pintura é a própria história da pintura. A geometria da composição se estrutura através da fragmentação do espaço, pedaços, estilhaços, fragmentos. O artista, como sabemos, para construir a sua realidade precisa eliminar a realidade que a antecede. Destruir é construir. Entretanto, Aquila prefere agregar, incorporar, e com isso cria camadas de percepção que fazem de cada obra um universo misterioso e encantado. O olhar percorre caminhos não lineares onde as partes e o todo se reencontram a partir da observação do espectador.

      Tudo, aqui, conspira na busca incessante da integração entre situações aparentemente antagônicas. O passado para Aquila, é a ferramenta que projeta o futuro. Por isso, a sua pintura abraça e acaricia o ofício do pintor, não apenas a sua reflexão teórica, mas também, e principalmente o seu fazer, os mistérios do ateliê no momento da criação. Aquila pinta o mundo e concilia a clareza modernista com a atenção e ironia da pop arte e suas derivações que definem a arte contemporânea. Pela generosidade e clareza do seu processo criativo as pinturas de Luiz Aquila tornaram-se referência obrigatória no cenário artístico brasileiro. Elas são espelhos misteriosos e mágicos que revelam o que temos de mais belo e encantador.

      Em um certo momento sombrio de nossa história, chegou-se a decretar a morte da pintura. Parecia haver um consenso sobre o desaparecimento de uma técnica e de uma linguagem criada pelo homem para externar seus medos, seus amores, seus devaneios e suas limitações. A pintura ao longo dos séculos reverberou a complexa existência humana. Em nome dessa tradição, silenciosamente Aquila e um pequeno grupo de artistas permaneceu fiel à sua própria história, consciente da fundamental importância da prática de espalhar, com tintas e pincéis, histórias do homem sobre uma superfície plana. Quando a vaga
      vanguardista enfim arrefeceu, a pintura de Aquila iluminou toda uma geração e definiu os rumos da nossa história artística. Elas são hoje ícones do nosso tempo e do nosso território e reencontrá-las é sempre um reencontro com o que temos de melhor. A arte de Aquila é um farol e a sua luz ilumina a noite e silencia o dia.

      Marcus de Lontra Costa
      Rio de Janeiro. Janeiro, 2024.

      Abertura
      24/02/2024 – 11h às 14h

      Exposição
      de 26/02/2024 à 06/04/2024
      de Seg. a Sex. – 10h às 19h
      Sáb. – 10h às 14h

    • Informação(ões) do(s) artista(s)

      Luiz Aquila é um dos mais ativos artistas brasileiros. Foi professor em
      Évora, Portugal; Universidade de Brasília; Centro de Criatividade da
      Unesco-DF e EAV Parque Lage-RJ, da qual foi diretor. Participou de
      mais de cem de exposições individuais e coletivas, como Bienal de
      Veneza; 17ª e 18ª Bienais SP e Brasil Século XX, 1994; retrospectivas
      no MAM-RJ, 1992; MASP-SP, 1993; Paço Imperial 2012 além de
      mostras individuais em importantes museus e galerias de 1963 a
      2019

    • Imprensa

      Não Disponível