Júlio Leite

  • Biografia

    Julio César Leite Imperiano (Campina Grande 1969).

    Julio Cesar Imperiano, também conhecido por Julio Cesar Leite – a dupla apresentação do nome indica cisão, marca de seu projeto de cor. Se o sujeito é capturado por seu nome, argumenta Merleau-Ponty em A prosa do mundo, esse artista evade-se. Como o gato de Mira Schendel que se chamava Maus (ou era o cão que se chamava Katz?), o sistema de cores de Leite Imperiano desafia a percepção e perturba a alfabetização visual. O artista instala cartazes e outdoors pela cidade com nomes de cores escritos em outras cores, diferentes. Pode-se ler, e. g., AMARELO escrito em letras garrafais rosas. Da estratégia emerge um sistema de cor que é fenômeno da escritura e estado de dissonância entre o nome da cor e a materialidade do signo na escritura. Em crítica da ilustração, o feixe de fótons não coincide com a grafia. A operação linguística de Leite Imperiano confronta a razão e o sensorial para cindir a leitura numa deliberada barafunda cromático-mental. A cor – das teorias de Newton ou Goethe às estratégias de marketing – entram em pane linguística, pois há um corte de significação entre o significante e o significado. A palavra não se autodefine cromaticamente pela escritura. Há de tudo nessa paleta de oposições e desolcamentos: cores indecomponíveis escrevendo as indecomponíveis (ou primárias e secundárias); cores aditivas, as subtrativas; quentes, as frias e tórridas, as temperadas. O comprimento das ondas do espectro eletromagnético desajusta o léxico básico da cor. No exemplo, quando a palavra amarelo escreve-se em rosa, a própria amarelidão do amarelo torna-se deslocada. É nesse ponto que a obra condensa significação. Mais uma vez, um artista reconfirma que ler não é ver. Isso indica que a escritura-cor suspende a racionalidade linguística dos Remarks on colour de Ludwig Wittgenstein, porque o paradoxo desta obra é a constituição e a desconstrução da cor-conceito no desajuste do ver/ler. O jogo de ambiguidades de Leite Imperiano admite e desconfirma essa cisão porque sem ler não se alcança o jogo gestáltico em que a impressão cromática no sistema nervoso não coincide com a operação cognitiva da leitura. A obra ressitua o sujeito diante da memória inaugural do reconhecimento das cores e do aprendizado da leitura.

    Texto de Paulo Herkenhoff

    Graduado em comunicação Social. Universidade Estadual da Paraíba. 2003/2004- Professor Substituto do Departamento de Artes da Universidade Federal de Campina Grande. Neste mesmo ano criou e dirigiu a Galeria Cilindro, site specific na cidade de Campina Grande. Em 2011 seu projeto Sala de Reforma foi selecionado para a Bolsa de Residência Artística da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na cidade de São Paulo, juntamente com artistas da Dinamarca, Polonia, EUA, França, Croacia, Italia, Chile, Uruguai.

  • Bibliografia

    Não disponível

  • CV

    Obras em Acervo :

    Museu de Arte do Rio de Janeiro – MAR. Rio de Janeiro -RJ.

    Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS. Porto Alegre -RS.

    Museu de Arte de Ribeirão Preto – MARP. Ribeirão Preto -SP.

    Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco. MAC. Olinda -PE.

    Centro Cultural Banco do Nordeste. CCBNB. Fortaleza -CE

    Museu de Arte Assis Chateaubriand. MAAC. Campina Grande – PB.

    Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego. Joao Pessoa -PB.

    Espaço Cultural ENERGISA; Joao Pessoa -PB

  • Exposições

    Exposições Coletivas

    1994- Olhar Borborema. Galeria Archidy Picado, João Pessoa.

    Mostra Internacional de Art-Mail. Casa do Olhar. Santo André -SP.

    1995- Mostra Internacional de Jovens Gravadores. Ajuntament di Terrassa.Barcelona.ESP.

    Art-Mail Exhibition. Universidade de Midllesex. Londres

    1996- Salão Cidade de Itajaí. Casa de Cultura Dide Brandão. Itajaí -SC.

    1997- Salão de Arte de Paranaguá. Casa da Cultura.Paranaguá -PR.

    1998- Salão de arte de Cascavel. Museu de Arte de Cascavel. Cascavel -PR

    1999- Salão de Arte de Londrina. Casa de Cultura. Londrina -PR

    Salão de Arte Pará. Museu do Estado do Pará. Belém -PA.

    Salão UNAMA de Pequenos Formatos. Galeria UNAMA. Belém -PA.

    2002- Salão de Arte de Porto Alegre. Usina do Gasômetro. Porto Alegre -RS.

    Bienal do Desenho da Paraíba. Espaço Cultural José Lins do Rego. João Pessoa.PB.

    2003- EXPERIMENTAL. Centro Cultural Dragão do Mar. Fortaleza -CE PLURAL II.

    Regina Pinho de Almeida Escritório de Arte. São Paulo -SP.

    2005- Bienal da Gravura da Paraíba. Espaço cultural José Lins do Rego. JoãoPessoa -PB.

    Aqui e Acolá. Artistas Franceses e Brasileiros. Associação Lê Ors lá. Marselha -França.

    2006- Salão de Arte Pará. Museu do Estado do Pará. Belém -PA.

    Projeto Atos Visuais FUNARTE. Galeria Fayga Ostrower. Brasília -DF

    Bienal Internacional de Gravura do Ceará. Museu de Arte Contemporânea do Ceará, Fortaleza -CE

    2007- Salão de Arte Pará. Museu de Arte do Pará. Belém -PA.

    2008- OBRANOME II. Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Rio de Janeiro -RJ.

    2009- 60 Salão de Abril. Fortaleza -CE.

    X Bienal Internacional de Havana. Havana -Cuba.

    V Bienal Internacional de Curitiba. Curitiba -PR

    2010 – Transfronteiras Contemporâneas. Memorial da América Latina. São Paulo -SP

    Futebol de Salão. Galeria Lurixs. Rio de Janeiro -RJ.

    Finalista do HTTP video. Instituto Cultural Sérgio Mota. São Paulo -SP.

    2011- Prêmio Energisa de Artes Visuais. Usina Energisa. João Pessoa -PB.

    Prêmio PIPA de Investidores em Arte -Artista.Rio de Janeiro -RJ

    2013- Metrô de Superfície. Centro Cultural São Paulo. São Paulo -SP.

    2014- TATU- Futebol e Adversidade Cultural na Caatinga. Museu de Arte do Rio.Rio de Janeiro -RJ.

    A Realidade do Sonho. Centro Cultural Banco do Nordeste. Fortaleza -CE.

    2015- Aquisições Recentes. Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Porto Alegre -RS

    2016- A Cor do Brasil. Museu de Arte do Rio (MAR). Rio de Janeiro -RJ.

     

    Intervenções e site specific

    2004- Galeria Cilindro. Campina Grande -PB.

    2006– Projeto Artista Invasor. MAC-CE. Centro Cultural Dragão do Mar. Fortaleza -CE.

    2008- Projeto denCIDADE. Natal-RN Projeto Fora do Eixo- Brasília -DF

    2009- SPA das Artes. Museu Murilo La Greca. Recife -PE.

    2010- Semana Experimental Urbana de Porto Alegre (SEU) – Porto Alegre -RS.

    2011- Open Studio. Edificio Lutetia FAAP. São Paulo -SP.

    2013- SESI Mogi das Cruzes. Mogi das Cruzes -SP.

    Exposições Individuais

    1993-Desenhos e Pinturas.Museu de Arte Assis Chateaubriand. Campina Grande.

    1997-Imagens Gravadas. Galeria Archidy Picado. João Pessoa -PB.

    2000-Alguma Coisa A Ver Com O Silêncio. Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco.Olinda – PE.                                                                                 2001-Projeto Prima Obra- FUNARTE, Sala Guimarães Rosa. Ministério da Cultura, Brasília -DF.

    2002-Desenhos Recentes. Casa de Cultura Dide Brandão. Itajaí -SC.

    2003-Temporada de Exposições. Museu de Arte de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto -SP.

    2006-Temporada de Projetos. Usina Cultural SAELPA. João Pessoa -PB.

    2008 – CROMA – Centro Cultural Banco do Nordeste. Sousa -PB.

    2010- ZONA DE FRONTEIRA. Centro Cultural Banco do Nordeste. Fortaleza -CE.

    2011-Existe Azul Mais Bonito Que o Meu? Galeria Virgílio. São Paulo -SP.

    2013-Existe Azul Mais Bonito Que o Meu? Museu da Gravura do Paraná. Curitiba -PR.

  • Site do Artista

    Não disponível

  • Seleção de Imprensa

    Não disponível