José Bento

  • Biografia

    Na década de 1980, José Bento realiza pequenas esculturas, com materiais como palitos de picolé, criando cenas cotidianas que assumem por vezes um caráter surrealista. Como nota o crítico Agnaldo Farias, essas obras são interessantes pela escala diminuta, pelo acabamento e pela inventividade, como em Ping-Pong (1981/1982), em que capta a velocidade e a trajetória de uma bola em um ambiente estático. Cria também caixas em vidro e madeira, em que trabalha com mercúrio, e explora projeções ou reflexos de figuras e formas geométricas.

    A partir da década de 1990, José Bento realiza trabalhos de grandes dimensões, como A Roda (1991), composta por bastões de madeira justapostos e ligados por fios de nylon, que, enrolados em espiral, constituem um disco de cerca de um metro e meio de altura. Desenroladas, as ripas de madeira formam uma fita que se desdobra em suaves ondulações no espaço. Já em Alfabeto (1994), apresenta pequenas peças de madeira, com formas intrigantes e misteriosas que, apresentadas em série e dispostas sobre um plano horizontal, revelam a fonte de inspiração do artista: a visão das cúpulas de capelas do cemitério situado próximo à sua casa. Como aponta a historiadora da arte Aracy Amaral, a presença de símbolos relacionados à morte e à religiosidade é uma constante na poética de José Bento.

    Posteriormente o artista passa a trabalhar com velhos troncos de madeira, obtidos de árvores caídas naturalmente na Mata Atlântica, que trazem marcas do tempo. As obras, que às vezes revelam um rigor construtivo, trazem em si também um caráter misterioso. Já nas “torres vazadas”, criadas a partir de 1993 com ripas de madeiras empilhadas, predominam a linearidade e uma leveza pouco freqüente em sua produção.

    Em peças produzidas a partir de 2000, José Bento retoma obras anteriores em caixas de madeira, criando pequenas instalações com módulos de espelho e vidro, sobre um piso também modular, de granito. Nessas obras, o artista explora a ambigüidade e a surpresa decorrentes da dificuldade de distinguir entre reflexo e transparência, como campos visuais diferenciados. Ainda na opinião de Aracy Amaral, seus trabalhos mais recentes, que remetem à arquitetura moderna e revelam um caráter ilusionístico, parecem indicar um novo desdobramento em sua produção.

  • Bibliografia

    AMARAL, Aracy. José Bento [Organização e texto Aracy Amaral; contribuições de Amílcar de Castro, Agnaldo Farias, Belo Horizonte, C/Arte, 2000].
    ARAUJO SANTOS, Ângelo Oswaldo de. As Esculturas de José Bento, Estado de Minas, Belo Horizonte, 02/01/1992.
    BOUSSO, Daniela. Excesso. São Paulo: Paço das Artes, 1996.
    KANTON, Kátia. A forma e os sentidos: Um olhar sobre Minas. Vitória: Museu Ferroviário, 2000.
    GUIMARAES, Cao. Abjeto. Belo Horizonte: Centro Cultural UFMG, 1994.
    SAMPAIO, Marcio. Madeira, Natureza resgatada. Marilia Razuk Galeria de Arte, 2001.
    SEBASTIAO, Walter. Prospecções: Arte nos anos 80 e 90. in RIBEIRO, Marilia Andrés [org.] Um Século de Historia das Artes em Belo Horizonte. C/ Arte, 1997.
    SILVA, Luiz Henrique Horta. José Bento. Estado de Minas, Belo Horizonte, 28.03.1989.
    AMARAL, Aracy. Textos do Trópico de Capricórnio: artigos e ensaios [1980/2005] – Vol. 3: Bienais e Artistas Contemporâneos no Brasil / São Paulo: Ed. 34, 2006.
    MOURA, Rodrigo. Obras Recentes. Belo Horizonte: Marilia Razuk Galeria de Arte e Celma Albuquerque Galeria de Arte, 2003.
    MOURA, Rodrigo. Texto volante para individual realizada no Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, 2005.
    SARDENBERG, Ricardo. O efeito da cachaça. São Paulo: Galeria Bergamim, 2006.

  • CV

    José Bento Franco Chaves (Salvador BA 1962). Escultor. Em 1966, transfere-se com a família para Belo Horizonte. Autodidata, entre 1981 e 1988, cria uma série de cenas e ambientes em miniatura com palitos de picolé. Expõe parte dessas peças no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 1989. Nesse ano, realiza pequenas caixas de madeira e vidro em cujo interior desenha com mercúrio. Nessa época, começa a produzir esculturas com troncos tombados naturalmente, muitas vezes de árvores raras e seculares, que recolhe na região da Mata Atlântica entre Minas Gerais e Espírito Santo. Em 1990 e 1991, desenvolve Roda, trabalho que se distancia das obras anteriores e impulsiona sua participação em diversas exposições coletivas no Brasil. Recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas no 12° Salão Nacional de Artes Plásticas (1991-1992), no Rio de Janeiro. Em 1993, realiza mostra individual na Casa Guignard, em Ouro Preto, Minas Gerais. A partir de 2000, trabalha também com vidro, espelho e granito. Em 2004, exibe suas esculturas no Museu de Arte da Pampulha – MAP, em Belo Horizonte.

    Obras em acervo
    Pinacoteca do Estado de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.
    Instituto Cultural Itaú. São Paulo, SP, Brasil.
    Museu de Arte da Pampulha. Belo Horizonte, BH, Brasil.
    Museu Nacional de Belas Artes. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Exposições

    Individuais:
    2010 Galeria Celma Albuquerque. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    2006 Galeria Bergamin, curadoria de Ricardo Sardenberg. São Paulo, SP, Brasil.
    2004 Museu de Arte da Pampulha, curadoria de Rodrigo Moura. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    2003 Marília Razuk Galeria de Arte. São Paulo, SP, Brasil.
    Celma Albuquerque Galeria de Arte. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    2001 Marília Razuk Galeria de Arte. São Paulo, SP, Brasil.
    1996 Manoel Macedo Galeria de Arte. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    1993 Os lírios de madeira, Museu Casa Guignard. Ouro Preto, MG, Brasil.
    1989 Palácio das Artes. Belo Horizonte, MG, Brasil.

    Coletivas:
    2012 Métodos empíricos para extração (ou construção) de uma forma, curadoria Jacopo Crivelli Visconti, Celma Albuquerque Galeria de Arte. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    2011 Zum Zum Zum. Galeria A Gentil Carioca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
    2009 Arte Frágil, Residências, curadoria Lisbeth Rebollo Gonçalves, Museu de Arte Contemporânea. São Paulo, SP, Brasil.
    2008 Arco 2008, curadoria de Paulo Sérgio Duarte. Madrid, Espanha.
    Poética da Percepção, curadoria Paulo Herkenhoff, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
    2006 Acervo do MAP no Espaço de Arte Pitágoras, Museu de Arte da Pampulha. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    2005 29ª Edição do Panorama da Arte Brasileira, curadoria Felipe Chaimovich. São Paulo, SP, Brasil.
    Educação, olha! Galeria A gentil Carioca. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
    Espaço Brasil, Ano Brasil na França, curadoria de Evandro Salles. Paris, França.
    2004 Pampulha, obra colecionada: 1943-2003, curadoria de Rodrigo Moura, Museu de Arte da Pampulha . Belo Horizonte, MG, Brasil.
    Paralela à 26ª Bienal de Arte de São Paulo, curadoria de Moacir dos Anjos. São Paulo, SP, Brasil.
    2001 Convergência, Silvia Cintra Galeria de Arte. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
    Manoel Macedo Galeria de Arte. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    2000 Bravas Gentes Brasileiras, Palácio das Artes. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    A forma e os sentidos, Museu Ferroviário. Vitória, ES, Brasil.
    Museu Brasileiro de Escultura. São Paulo, SP, Brasil.
    1999 10 Anos Centro Cultural UFMG. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    1998 Celma Albuquerque Galeria de Arte. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    1997 I Bienal Latinoamericana de Lima. Lima, Peru.
    Diversidade da Escultura Contemporânea Brasileira, Instituto Cultural Itaú. São Paulo, SP, Brasil.
    Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense. Niterói, RJ, Brasil.
    5 Artistas, Galeria Casa Triangulo. São Paulo, SP, Brasil.
    XXV Salão de Arte de Belo Horizonte. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    Prospecções, Arte dos anos 80 e 90, Palácio das Artes. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    1996 5 Artistas Mineiros, Casa da América. Madri, Espanha.
    5 Artistas Mineiros, Mosteiro dos Jerônimos. Lisboa, Portugal.
    Excesso, Paço das Artes. São Paulo, SP, Brasil.
    1994 A identidade Virtual, Fundação de Arte. Ouro Preto, MG, Brasil.
    Abjeto, Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    Chão e Parede, Galpão EMBRA. Belo Horizonte, MG, Brasil.
    1993 XIII Salão Nacional de Artes Plásticas, Fundação Nacional de Artes – Funarte. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
    Encontros e Tendências, Museu de Arte Contemporânea da Cidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil.
    1992 A Montanha e o Mar, Museu de Arte Moderna da Bahia. Salvador, Bahia, Brasil.
    1991 Instalação Porto 91. Vitória, ES, Brasil.
    1990 Prospecção 90, Galeria Subdistrito. São Paulo, SP, Brasil.

  • Site do Artista

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  • Seleção de Imprensa

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